Para que as raízes e as asas cheguem juntas.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Fuga Nº II

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Hoje eu vou fugir de casa
Vou levar a mala cheia de ilusão
Vou deixar alguma coisa velha
Esparramada toda pelo chão
Vou correr num automóvel enorme e forte
A sorte e a morte a esperar
Vultos altos e baixos
Que me assustavam só em olhar

Pra onde eu vou, ah
Pra onde eu vou, venha também
Pra onde eu vou, venha também
Pra onde eu vou

Faróis altos e baixos que me fotografam
A me procurar
Dois olhos de mercúrio iluminam meus passos
A me espionar
O sinal está vermelho e os carros vão passando
E eu ando, ando, ando
Minha roupa atravessa e me leva pela mão
Do chão, do chão, do chão

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Estava Escrito




Os homens são (uns) diabos
não há mulher que o negue
mas todas (elas) procuram
um diabo que as carregue!

Anonimous

Post inspirado num PPS (Putz, Preciso Saber)

MAKTUB




A pessoa feliz
é aquela que consegue
saborear plenamente
o instante que detém nas mãos.

Anônimo

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Bolsa Prostituição

Marc Faber é norte-americano, analista de investimentos e empresário.
Em junho de 2008, quando o Governo Bush estudava lançar um projeto de ajuda à economia americana, Marc Faber encerrava seu boletim mensal com um comentário bem-humorado:

"O Governo Federal está concedendo a cada um de nós uma bolsa de U$ 600,00. Se gastarmos esse dinheiro no supermercado Walt-Mart, esse dinheiro vai para a China. Se gastarmos com gasolina, vai para os árabes. Se comprarmos um computador, vai para a Índia. Se comprarmos frutas e vegetais, irá para o México, Honduras e
Guatemala. Se comprarmos um bom carro, irá para a Alemanha ou Japão. Se comprarmos bugigangas, irá para Taiwan... E nenhum centavo desse dinheiro ajudará a economia americana. O único meio de manter esse dinheiro na América é gastá-lo com prostitutas e cerveja, considerando que são os únicos bens ainda produzidos por aqui. Estou fazendo a minha parte..."

- Um brasileiro igualmente bem humorado respondeu:

"Realmente a situação dos americanos parece cada vez pior. Lamento informar que, depois desse seu e-mail, a Budweiser foi comprada pela brasileira AmBev... portanto, restaram apenas as prostitutas. Porém, se elas repassarem parte da verba para seus filhos, o dinheiro virá para Brasília, onde existe a maior
concentração de filhos da puta do mundo."

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Nada há além da Arte e do belo

Chega um momento na vida que nada mais importa. Não faz mais sentido conquistar o amor das pessoas. Muito menos conquistar territórios que jamais nos pertencerão mesmo, a Terra no tempo será dos vulcões e do Sol. Nada faz sentido além da Arte durante nossa permanência planetária. Mas alguns perguntariam, o que vem a ser exatamente Arte? Onde ela se apresenta em sua plenitude? Qual Arte importa construir ou buscar ao nos dedicarmos a alguma forma de representação da estética? Não tenho, tu não terás, ele ou ela não terá, nem todos os plurais terão respostas para tal indagação. Mas é certo de que cada um buscará alcançar alguma forma de Arte, mesmo sendo no empréstimo do olhar, na palavra pronunciada, ou no torcer de narizes.
A Política o que é se não a forma como os homens tentam impor seus conceitos próprios e suas formulações sobre a maneira como deva se dar a organização social dos povos, dos agrupamentos humanos, do gentio. Nos tempos atuais, em especial em países onde as classes populares e médias ainda não atingiram grau cultural medianamente aceitável, o povo ainda elege para se ocupar da Política indivíduos que apenas querem se locupletar das benesses ofertadas pelo poder. Poder este cujos cargos e remunerações os próprios políticos definiram para si. Por isto mesmo a Política foi diminuída ao longo do tempo pelas relações exclusivas do poder pelo poder, não mais pelas ideias e por sua intenção transformadora do coletivo e do indivíduo.
Mas se a Política não é o caminho, o que dizer da Filosofia? Ora, a Filosofia é a forma como o indivíduo se coloca no mundo e no sistema de organização social, refletindo sobre sua participação no seu interior. Ou seja, é a individualidade adaptada à formatação gestada pela política praticada pelos coletivos de todos agrupamentos. Portanto, não há Filosofia sem vinculação a um momento histórico. Embora possa se abster dos fatos históricos isoladamente, não pode prescindir do tempo no qual está inserida. Assim, a Filosofia estará sempre prisioneira da atualidade na qual se reflete, ainda que possa atravessar seus conceitos em tempos passados. Ela sempre será presente e passado, muito pouco a reflexão em direção ao futuro.
Então a História poderia ser a grande motivação humana? Não. Definitivamente, não. A História como a grande tábua das marcas do tempo, contendo a cronologia humana no planeta, prima irmã da Geografia e de outras ciências correlatas, estas capazes de explicar a História do passado da Terra, pouco pode explicar sobre nosso avanço em direção ao futuro. Nada se repete, assim como o tempo não se repete. O homem avança inexoravelmente ao desconhecido. A História, com seu foco para o retrovisor dos fatos, nem mesmo o presente consegue aprisionar. Isto porque passadas algumas décadas, logo parece faltar-lhe algum parafuso na engrenagem e na memória, principiando ela mesma a duvidar do que a alimenta. Assim, a História passa após algum tempo a ser a ciência da dúvida, ou se contenta com uma das versões mais fantasiosa.
Mas então, se não é a Política, nem a Filosofia, nem a História ou a Geografia, o que poderia impulsionar a Humanidade? A Ciência? Não, também não é ela aquela capaz de agrupar os sentimentos dos humanos, transformando-os em raptores ou pitonisas do futuro. Não, a Ciência ainda que cumpra papel de destaque na busca do conhecimento sobre o desconhecido, estaca-se quando visa a aplicabilidade da descoberta, dando ao descobrimento função prática imediata. A única vantagem que leva sobre a Religião é que se apresenta sempre como curiosa, com desconfiança permanente sobre aquilo ainda não revelado. Enquanto a Religião, formadora de dogmas e de conceitos não comprovados, coloca todos numa unidade coletiva emburrecedora, sem questionamentos, totalmente anuladora das virtudes para qual fomos gerados.
Mas depois de tudo isto o que nos sobra? Ora, diria com toda sonoridade das três ou quatro letras onde ela se abriga na maioria das línguas planetária: somente existe a Arte. A Arte é a única entre todas as formulações humanas que tende a perpetuar todos pensamentos e virtudes dos seres. Não fora ela, não haveriam os próprios mitos. Ou alguém duvida que foi graças a ela que as figuras míticas de todas as Religiões se propagaram em todos os cantos da Terra? Desde Buda a Jesus; desde o Vaticano até os templos Hindus no Vietnam, na Índia, no Japão. Pela força das obras de Miguel Ângelo, de Da Vinci, pela grandiosidade das esculturas dos elefantes deuses em Bangkoc; no gigantismo presente nas dezenas de cristos espalhados em muitas cidades mundiais; ou ainda, na força da obra de Dante Alighieri. A Arte sempre emprestou seus virtuoses e seu virtuosismo às causas da Religião. E jamais disto se arrependeu.
A Arte sempre foi a tentativa humana da busca da comparação com o criador. Mesmo nele não acreditando. Mesmo nada tendo para por no lugar de Deus. Mesmo duvidando da própria existência dele. Apesar de todas estas desconfianças, o artista sempre buscou criar imagem assemelhada com sua pretensa virtude. Sempre experimentou o poder de criar. Não é à toa que muitos mais homens há e houve na produção da Arte do que mulheres. Isto porque elas podem, e muitas já experimentaram criar um ser no seu próprio ventre. Assim, ao longo da História é pequena a contribuição da mulher na produção das Obras de Arte, em especial nas Artes Plásticas. Mas existem algumas de alta gramatura na lavra do ouro produzido.
A Arte é de fato a mola propulsora a embalar o desejo de permanência dos seres sobre a pele do planeta. Quando todas as outras motivações já foram experimentadas e não mais sobra entusiasmo para qualquer outra tarefa, eis que aparece a Arte para ser a grande incentivadora dos permanecidos. Está claro que também faz uso da palavra Arte um monte do lixo produzido por cabeças vazias, por pessoas desprovidas de habilidade, de técnica e de talento. E eles, os obtusos, são capazes de gestar experiências formais e não formais, muitas delas consumidas em grande escala na sociedade consumista dos tempos hodiernos.
Mas como toda produção humana, o lixo não sobrevive ao tempo. Este imenso lixo não chega aos museus, não resiste a duas gerações, sendo logo descartado, sobram as sobras dos instrumentos ou bases para a produção da arte besta, da arte menor, da arte um destarte. Assim ocorre com a música pobre, de rápido consumo popular; assim acontece com a literatura produzida na forma de folhetim, transformada a produção de tempos em tempos em papel reciclável no rumo do papelão; ou mesmo nas aquarelas amarelecidas pelo tempo, passando à condição de água em processo de envelhecimento.
A Arte da qual falo é aquela imorredoura enquanto durar a vida planetária e o homem nela. Ela é e sempre será a grande motivação humana. Falo da arte buscada nos museus; nos compêndios das bibliotecas; nas edições especiais das grandes músicas trazidas de tempos em tempos aos nossos ouvidos pelos grandes veículos editoriais; ou presente nos acervos especiais disponibilizados aos nossos sentidos de quando em quando por um grande produtor.
Mas se esta é uma Arte especialíssima, o que a move? Diria que a grande Arte é aquela que busca o belo. Sim, mas o que é o belo em sua concepção plena? O seu belo não é o belo de outro, nem será do seu vizinho, nem da diarista do seu imóvel, nem tampouco do gerente da sua conta bancária; ou do seu filho; do seu pai; e de quem mais quiser individualizar. É verdade. O belo é o intangível. Mas o belo é também o que medianamente fascina a maioria. Quem de pé diante das meninas de Renoir, no MASP, em São Paulo, não se encanta ou não irá ser encantado? Pode ser o mais underground dos sujeitos. Pode ser o mais roqueiro dos indivíduos, ou mesmo cantor de música sertaneja, vai se emocionar. Vai perceber pairando por ali, naquelas luzes e nos vestidos diáfanos, um quê de encantamento impossível de não levá-lo a contrair sua pele, abrir seus poros.
A Arte dita maior é capaz disto. Quem ouvindo Garota de Ipanema, Carinhoso, Samba de Verão, tocadas com flauta doce, não irá se emocionar? Ou quem ouvindo Bach, ou as Bachianas de Vila Lobos, não irá se aperceber de estar diante de uma Arte que transcende? Todas capazes de elevar o espírito. Será não entenderá a luta do artista em busca da sua própria divindade? Assim é a Arte. Assim espera-se seja ela: sublimando o belo. Não há e jamais haverá algo adiante do belo. O belo é assim como o alvo ao qual nosso dardo fura o tempo em busca da ancoragem para nele se cravar. Mas a cada aproximação percebemos faltam-nos mais espaços a percorrer. O alvo parece viajar na mesma velocidade da nossa ânsia em furar o imaginário muro onde ele está. Assim é também a constante insatisfação do artista com a sua própria arte, onde mais um retoque é sempre possível, menos uma palavra ou menos uma pincelada pode aproximá-lo do belo.
Não há saída para a Humanidade. Temos de continuar a buscar o belo. Pelo menos alguns devem continuar nesta corrida, infelizmente apenas a poucos com reta de chegada. Muitos certamente se verterão à Política, à Filosofia, à História, às Ciências e mesmo a arte pela arte. Mas aqueles capazes de se entregar ao belo, à busca da perfeição, depurando textos; pincelando telas; esculpindo um osso, uma madeira ou uma pedra; ou regravando vezes seguidas uma música; repaginando a letra de uma canção; poderá certamente beber da água da fonte do oásis, encontrar uma cacimba no meio do cerrado, ou voar qual Ícaro e Dédalo sem que o Sol queime suas asas. O belo deve ser a meta da Arte e do artista. Aquele que o procurar estará sempre acima de si mesmo, sem cair nas tentações de Santo Antonio ou nas tentações do capitalismo humano. Brincar de ser Deus muitos tentam, mas levar adiante a tarefa de com ele jogar uma partida inteira de damas, estes são poucos. E Deus sempre premia seus opositores. Que o digam os museus e a eternidade dos nossos olhares e ouvidos.

por Tonicato Miranda, em POESIA EMBALDE

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

I Am Waiting


I saw you
Again, I knew just where you'd be
I'll stop this
Real soon when you're back safe with me
When you come home, I’ll stop this
When you come home, I’ll hide it good
I’ll never cry again, when you come home, to me

In picture
I'd see it, you weren't really there
In truth I
Still feel it hanging in the air
When you come home, I’ll stop this
When you come home, I’ll hide it good
I’ll never cry agaïn, when you come home, to me

Why Are You Crying?





Am I waking to this magic
Am I seeing all is human
Human after all

I wanna be inside your heart
Are you ready
I wanna love forever
Are you thinking
I wanna be inside your heart
What I’m thinking
I wanna know you’re with me

Highways, starways, many ways
To be open tonight
High time, look inside
Your life, I am waiting

I am waiting: are you ready?
I am waiting: can you hear me?
Can you hear me?

It happened in the water
The heaven will fall
The break in the water
The secret birth

Said she loves me I believe her
Waited lifetimes say this to you

I wanna be inside your heart
Are you ready
I wanna love forever
Are you thinking
I wanna be inside your heart
What I’m thinking
I wanna know you’re with me

Highways, starways, many ways to be open tonight
High time, look inside
Your life, I am waiting
Say you need me I’m yours
Say you need me just because
(it’s our freedom...)
It’s our freedom, hear me now
We are made to be here now
We’ll be waiting for the word
As the healing of the world
Make the promises to be true
All my life my world is you

I am waiting: are you ready?
Are you ready?
I am waiting: can you hear me?
Can you hear me?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Da Ética Das Relações

João amava Tereza que amava Raimundo
Que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
Que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Tereza para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou-se com J. Pinto Fernandes
Que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Under Felty Hands



She Wakes In The Air
Matte Kudasai
She Sleeps In A Chair
In Her Sad America

King CrimsonMatte Kudasai

Dico Kremmer, meu guru em língua japonesa coAchou-me: Matte Kudasai quer dizer: 'Espere Por Favor'

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Under


Where there was no reason now 
there is plenty
entered is death and sleep somehow 
has become empty
and this remains to be seen
your sister called me late last night
well she regrets the situation, it seems 
she asked for reasons, for explanations

and there was never a happier rain
a more pleasant GRAY 
surprise, you are alive
this is taking me under

second tide in what chance 
it's better than the first time 
we didn't know 
against a wall and now I'm caught 
and down the street 
I am afflicted