Para que as raízes e as asas cheguem juntas.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Um dia na vida

8:00 hs. Não aguento mais ler as notícias. São sempre as mesmas. As manchetes, as coisas comuns e atrozes do dia-a-dia, você sabe... estava ansioso por uma notícia sua! Mas é estranho. Ontem, quando você me ligou para dizer do seu passeio de barco, eu deveria ficar feliz. Não é assim... no meu coração só há solidão e sentimento de abandono. Talvez porque aquele nosso passeio a dois, ficou suspenso. Vai acontecer um dia, eu espero!

9:00 hs. Penduro a Mandala que você me deu. Ela é de vidro, colorida e transparente. Preciso encontrar um lugar na sala, diante da janela, para obter o melhor resultado que a combinação de luz e cores pode proporcionar. É como ajustar o foco de uma lente. Infelizmente a luz da janela é muito difusa, e não projeta nenhuma imagem, qualquer que seja o lugar onde eu a coloque.

11:00hs. Fui procurar as pilhas para por na câmera fotográfica. Não me sobraram. Você as levou para o seu passeio. Será preciso comprar novas pilhas. Pensei em fotografar a Mandala. Mas para quê?

13:00 hs. Comprei novas pilhas. Agora é preciso colocar na tomada de força e esperar que elas carreguem. Continuo esperando...

14:00 hs. Que passeio você estará fazendo agora?

15:00 hs. O tempo demora muito a passar quando se espera.


16:00 hs. Tomei uma atitude, e para não ficar olhando a cara dela, joguei aquela revista nojenta no lixo!

17:00 hs. A luz do dia se esvai lá fora aos poucos...

18:50 hs. O dia acabou, mas as pilhas ainda não carregaram.

19:00 hs. Talvez amanhã faça sol...



Por hora, o registro feito na feira.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Roberto Pinheiro Machado

Roberto Pinheiro Machado, curitibano, nasceu com uma bússola interna e desde a adolescência teve gostos e ambições heterodoxas. Com 15 anos já fotografava suas namoradas e outras cenas com uma percepção de enquadramento e luz pouco usuais em pessoas sem um estudo mais aprofundado da arte fotográfica. Quis ser fotógrafo profissional mas logo abandonou uma carreira que, com certeza, lhe teria trazido bons resultados tanto financeiros como artísticos (na época em que o talento era só o que contava). Decidiu, então, ser músico de Jazz. Branco, decidiu ser preto. Foi o primeiro giro de sua bússola. E foi estudar no Berklee College of Music em Boston, USA onde se graduou no ano de 1995 como saxofonista. Inquieto, a agulha apontou-lhe o oriente: foi parar em Tóquio como bolsista do Ministério de Educação do Japão onde cursou o programa de mestrado em “Música Tradicional Japonesa da Universidade de Belas Artes e Música de Tóquio”. Apresentou-se na capital japonesa com o seu Roberto Pinheiro Machado Quartet. A agulha de sua bússola girou e enviou-o desta vez para a Universidade de Salamanca na Espanha no ano de 2000. Três anos mais tarde doutorou-se com a tese “La estética Del absurdo em La literatura hispanoamericana: Juan Carlos Onetti, Julio Cortázar y José Donoso”. Depois de uma curta passagem pelo Brasil a bússola aponta novamente para os Estados Unidos: apresenta-se nas cidades de Washington e Seatle. Nesta lecionou literatura portuguesa durante quase dois anos. Novo giro da agulha e em 2006 encontra-se em Paris, França, como bolsista da famosa “École Normale Supérieure” (onde, entre outros, estudaram Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Raymond Aron). Continua apresentando-se como músico, grava CDs, publica artigos em revista internacionais sobre música, filosofia e literatura. Escreve também o seu primeiro livro “Kant et Nãgãrjuna – vers la fin de la philosophie comme herméneutique”. Depois de quase vinte anos de andanças, estudos, pesquisas, apresentações volta ao Brasil.

Conheci-o quando criança e depois de nos reencontrarmos tomei conhecimento de seus trabalhos e de seu imenso talento em tudo o que faz. Neste newsletter apresento algumas fotografias que o meu amigo Roberto tirou. E convido a todos os interessados em Jazz a irem ouvi-lo no Hermes Bar, Avenida Iguaçu, 2504 nos dias 11, 18 e 25 de Maio a partir das 21:30 horas onde se apresentará junto com Jefferson Sabbag nos teclados, José Boldrini no contrabaixo e Fernando Rivabem na bateria. Consumação artística de R$ 12,00 para homens e R$ 9,00 para mulheres. Para que ama o Jazz as apresentações são um prato cheio de sensibilidade e competência.
Ao mesmo tempo estarei expondo algumas fotos do ensaio fotográfico que fiz com a modelo ganense Patience que veio dos Estados Unidos especialmente para fazer algumas fotos com o fim de ilustrar algumas peças gráficas – cartazes e capa de CD – do trabalho musical de Roberto Pinheiro Machado e seu conjunto.

Dico Kremer









quarta-feira, 1 de abril de 2009

Autorreconstrución

Un proyecto de diferentes imágenes digitales impresas en gran formato que exploran el sufrimiento que se auto infringe la persona que forma parte de una comunidad por cumplir sus normas necesarias para ser aceptada.

Aunque muchos aspectos de este proyecto puedan coincidir en su interpretación con el papel que juega el individuo en otras culturas del mundo, mi exploración se centra en el dolor del hombre/mujer occidental.
Una de las grandes características que identifican a una cultura y que causan gran trastorno y sufrimiento a quienes participan de ella es el necesario encuentro de todos ellos en una estética compartida. El colectivo como unidad y para no fragmentarse parece requerir de ciertas pautas y normas tanto de comportamiento como de estética, moral y hábitos, que hacen de cada individuo soporte de identidad colectiva.

Pero esto no es lo importante en este proyecto puesto que no soy quien para juzgar estas pautas que la sociedad requiere a cada individuo, pues entramos en conflictos psicológicos personales del propio “ser estético” que también busca su propia identidad dentro del dilatante campo de acción que la sociedad permite en el plano más personal y dentro de lo comúnmente ético y estético. Y además no quiero correr el riesgo de que mi discurso se pierda en campo antropológico cultural. No, mi intención es mostrar el trastorno que esto ocasiona en lo más intimo, en ese lugar donde el ser social está en estrecho contacto con el ser “animal” y desde allí cada uno de nosotros tenemos que reinventarnos construyendo una proyección hacia los demás.

Desde luego, es necesario que detrás de cada obra haya una indagación en alguno de los aspectos de nuestra cultura o sociedad que me permita trabajar sobre el dolor que ocasiona su cumplimiento en el plano íntimo, y también un enfoque personal y crítico del hecho que motiva este sufrimiento. Sin embargo no pretendo plantear una denuncia y una reacción en contra, esto sería absurdo puesto que creo tanto en el ser animal como en el ser estético con todos sus problemas intrínsecos, sólo pretendo una obligada introspección de cada uno de nosotros que invite a distinguir algunos trastornos interiores escasamente atendidos por norma general.

No hay soluciones ni propongo acciones ni reacciones. Quiero mostrar ese trágico lugar hasta el que inconscientemente llegamos cuando nos fragmentamos para desechar algunas partes y nos volvemos a reconstruir con los fragmentos “elegidos”. Así llegamos a una invención de nuestro ser social y lo construimos pero sin ser demasiado conscientes de ese lugar maltrecho que abandonamos en el interior lleno de fragmentos desensamblados. El taller interior donde nos reconstruimos y luego no lo ordenamos.
Es este hecho trágico y doloroso el que quiero reflejar en mi obra, este taller entre nosotros y nuestro ser social.

Ricardo Laspidea.

Autor: Ricardo Laspidea

Site: http://www.ricardolaspidea.com

Publicado: 03.21.09

Categoría: Design






sexta-feira, 20 de março de 2009

Férias

Dei umas férias para o blog.

Afinal, alguém tem que trabalhar...

e...

enquanto um sofre o outro ri!

Quer trabalhar?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

EXECUTIVA BEM-SUCEDIDA

Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal.
Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas.Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:

- Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque meu convênio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?
- No céu.
- No céu?...
- É.
- Tipo assim... o céu, CÉU...! Aquele com querubins voando e coisas do gênero?
- Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.

Apesar das óbvias evidências (nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone celular), a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que havia mesmo apitado na curva.
Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o bônus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.
E foi aí que o interlocutor sugeriu:

- Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o síndico.

- É? E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?
- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.
- Assim?
(...)
- Pois não?

A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro.
Mas, a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu rapidinho:

- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e...
- Executiva... Que palavra estranha. De que século você veio?
- Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo 'executiva'?
- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo...

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.

- Sabe, meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistêmica.
- É mesmo?
- Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?
- Ah, não sabemos.
- Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.
- Que interessante...
- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.
- !!!...???...!!!...???...!!!
- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Acionista... Ele existe, certo?
- Sobre todas as coisas.
- Ótimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, me parece extremamente atrativo.
- Incrível!
- É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar em um Turnaround radical.
- Impressionante!
- Isso significa que podemos partir para a implementação?
- Não. Significa que você terá um futuro brilhante... se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno....

Max Gehringer

ELIZABETH BISHOP


Elizabeth Bishop (1911-1979) e Sylvia Plath (1932-1963) são as maiores poetisas (poetas como agora se convencionou dizer) norte americanas do século XX. Elizabeth Bishop morou no Brasil, onde chegou em 1951, quase vinte anos. Além de poemas, traduções de obras de poetas de outros países (Octavio Paz, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Mello Neto), há uma prosa muito especial em “Collected Prose”. O livro divide-se em duas partes: Persons & Places que são reminiscências sobre sua infância, a vida com uns avós no Canadá (Nova Scotia) e com outros nos Estados Unidos (Worcester, Mass.), seu primeiro emprego depois de cursar a famosa Vassar College, (fundada em 1861), um artigo sobre a pintura de Gregorio Valdes, uma introdução ao diário de Helena Morley, uma brasileira que o escreveu na virada do século XIX numa cidade mineira de extração de pedras preciosas em Minas Gerais (diário que Bishop verteu para o inglês e publicou nos Estados Unidos). A segunda parte é ficção, “Stories”. Mas as memórias não são tão ortodoxas assim traduzidas pelo gênio de Bishop.

Quando morava em Key West, Florida, leu num jornal local “Citizen” uma nota de falecimento de um senhor chamado José Chacón, 84 anos, no Mercedes Hospital, também conhecido como “Casa Del Pobre”. Antiga mansão do Señor Perro, fabricante de charutos e homem rico, doada à comunidade em 1911 para funcionar como hospital com uma dotação mensal de US$ 130.00. Abaixo da nota vinha o seguinte poema:

FRIEND?
How often have you called
Someone a friend
And thought he would be
Everything it meant?

While you were on top of the world,
With money in your hands,
They flocked around everywhere,
Even at your command.

Now that you are old and gray,
Your friends look the other way
When you meet them on the street;
Never a “Hello” when you meet.

You go home to your little room
And sit silent in the gloom,
Thinking of the once bright day,

But now you are old and alone.

But one comes to you every day
As on your bed you must lay.
He stops and takes you by the hand,
And the look on his face, you understand.

That smile on his face tells a lot
As he sits by your bed and watches the clock
Ticking the hours soflty by.
With a tear in his eyes, he says goobye.

That was a Friend to the End.

Bishop achou muito tocante tanto a nota de falecimento como o poema transcrito. Quem seria o autor e a quem as três últimas estrofes faziam referência? Seria o falecido o autor? Seria o amigo visitante um sobrinho seu e homônimo? Como ela conhecia o sobrinho, um homem abastado e dono de um bar, logo soube que este não poderia ser nem o autor nem o visitante amigo. Foi visitar o Mercedes Hospital. Levada por Miss Mamie Harris, espécie de enfermeira e faz-tudo na casa de oito quartos enormes, altos e escuros, descreve de maneira soberba a decadência da mansão, os enfermos permanentes e os que iam e voltavam com alguma regularidade. A comparação entre Miss Mamie, considerada uma espécie de santa que trabalhava lá há 30 anos sem quase nunca ter deixado a casa, com as qualidades e as idiossincrasias dos verdadeiros santos é magnífica. Uma admiração e uma profunda suspeita emanavam dela. A poeta cita inclusive São Simão Estilita que, enquanto pensava que sabia o que estava fazendo no alto de sua coluna e alegrava-se com isso, Miss Mamie, por sua vez, não tinha a mais remota idéia que o lugar onde estava e o que lá fazia precisassem ser explicados. Apesar de tratar bem os doentes e de cuidar da higiene deles o melhor que podia, era desmazelada com ela mesma tendo as sua roupas em estado lastimável. Mesmo com a ternura que tinha pelos poucos internos, Bishop não acreditava que ela tivesse entendido o poema se alguma vez o tivesse lido.

Depois de deixar uma contribuição de US$ 10.00 com Miss Mamie a poeta sai do hospital comovida e sem ter a certeza da autoria do poema nem da identidade daquele amigo até o fim.


Este texto não é um poema em prosa como os de Beaudelaire ou os de Oscar Wilde. É uma prosa poética, simples, profunda, que faz lembrar algumas construções dos “Dublinenses” de Joyce. Bishop utilizou uma nota de falecimento que viu no “Citizen” com o poema e construiu o seu texto. O que há de verdadeiro como uma reportagem ou um texto memorialístico é difícil dizer. O Señor Perro na realidade chamava-se Mr. E.H. Gato e cedeu a mansão para que funcionasse como hospital sem pagamento de aluguel por alguns anos. Mercedes era o nome da sua esposa. Miss Mamie, a enfermeira faz-tudo, uma velha senhora chamada somente de “Coletora” (a qual com sua surrada pasta preta ia de porta em porta em busca de contribuições) que, quando da visita de Bishop estava em Cuba visitando uns parentes; os internos: Mr. Sonny Cummers e seu primo Tommy Cummers; um senhor negro chamado Milton; Antoñica nonagenária em sua cadeira de balanço, cega e surda; a pequena e gordota empregada cubana com pequenos brincos dourados que contrabandeava charutos para Mr. Tommy. Quem eram estas pessoas? Verdadeiras pessoas de carne e osso ou reais pessoas saídas da imaginação poética de Elizabeth Bishop?

Dico Kremer
Fevereiro/2009

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

CHAMA INTERIOR

“Cuidar do espírito demanda acender a brasa interior da contemplação e da oração diuturnamente para que nunca se apague.
Significa, especialmente, cuidar da espiritualidade, que é a capacidade de sentir Deus a partir do coração e de vê-Lo nascer a cada momento no outro que está à minha frente.”

Leonardo Boff (1938 - )


FELICIDADE REALISTA

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

Mário Quintana

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Estou desolado por ver um mundo sem sentido

"Esta idéia é relevante por conter uma correção a uma importante distorção perceptual. Você pensa que o que o perturba é um mundo amedrontador, ou um mundo triste, ou um mundo violento, ou insano. Mas esses atributos só lhe são dados por você. O mundo em si mesmo não carrega nenhum sentido."

Trecho da Lição 12 do Manual para Estudantes de "Um Curso em Milagres".

domingo, 1 de fevereiro de 2009

HITCHCOCK

A vida não é um filme...

...mas, às vezes, é o que resta!

(Numa noite solitária de domingo, vendo Hitchcock, A Sombra de Uma Dúvida).

AFINAL

Você gosta de andar
buscando algo,
que afinal,
está lá atrás.
É só o passado.

Se pudesse olhar
veria que algo,
por fim,
quer se mostrar.
Está ao seu lado.

BLOGUEMOS

Então, o blog.

Eu blogo, tu blogas, ele bloga. Nestes tempos internetianos, todo mundo bloga (ou seria blogueia?)!

Como disse o filósofo: “quem não bloga, se acomoda”.

E como eu disse, Dico, um blog é um blog! e você também pode blogar, se quiser. Aproveite a carona, pelo menos deixando algum comentário seu aqui, se lhe aprazer! E sabe de uma coisa? você nem precisa ter seu próprio, pois está convidado a compartilhar este comigo, como co-autor. Mande-me, assim, algumas das suas imagens, ou o que quiser, que eu posto.

Aliás, penso em colocar aqui aquele bonito trabalho da Gui, que você acha? Ah, você irá notar que eu o destitui da dedicatória do poema. Ele realmente tem outro destinatário, como você pode ver, mas note que algo seu foi inspirador.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

PAZ

Desejo? Destino? Missão? Natureza? Sentido?

No ser? Na vida? Em mim? No amor? No jardim?

A você? À amada? Ao outro? Ao amante? A Deus?